Ginasta viaja nesta 6ª-feira (22/3) para a etapa da Copa do Mundo de Doha, no Catar, primeiro desafio da temporada internacional, já com o novo código de pontuação

São Caetano do Sul – O ginasta Arthur Zanetti estreia no novo ciclo olímpico, que vai até os Jogos do Rio, em 2016, pressionado pelo status de campeão olímpico e pelo novo código de pontuação da Federação Internacional de Ginástica (FIG). Mas Arthur terá de adaptar às novas regras a apresentação que levou nota máxima nos Jogos de Londres, em 2012, e deu a ele o primeiro ouro da ginástica artística do Brasil. O ginasta segue para Doha, Catar, nesta sexta-feira (22/3), acompanhado do técnico Marcos Goto e de Henrique Medina e Francisco Barretto, colegas de clube, a SERC/Santa Maria, de São Caetano do Sul. A competição em Doha será ente os dias 27 e 29.

“No ciclo passado, a gente pensava ano a ano. Em 2011, em ser medalhista no Mundial para conseguir uma vaga na Olimpíada… Em 2012, em modificar a série para ir bem na Olimpíada. Agora, em 2013, já estamos pensando em 2015, ano de classificação para os Jogos do Rio, e claro, em 2016. Ser campeão é difícil, mas se manter no topo é mais ainda”, observou Arthur.

Na temporada, o principal objetivo será o Mundial de Ginástica Artística, em setembro, em Antuérpia, na Bélgica. “Eu sei que todo mundo vai querer ganhar de mim porque sou o campeão olímpico, mas também sei que não vou para ganhar em todas as competições. Não dá para vencer o tempo todo, embora eu sempre trabalhe para isso”, ressaltou Arthur. “Em Doha, quero fazer a minha parte e o resultado que vier será consequência. Eu sei que sou mais visado, mas é o que eu falei, vou dar o máximo, fazer minha parte.”

Arthur Zanetti terá de enfrentar também a mudança no código de pontuação – optou por reduzir a nota de partida nas argolas neste início de temporada. “Tirei um movimento de força, que era de valor C, mas faço um outro giro, que também é C. Então, não mudou muito, mas como ainda não estou no ritmo que vou alcançar no Mundial, preferimos dar uma diminuída na nota de partida. A FIG tenta, a cada ciclo, manter a competitividade elevada entre os atletas, dando a todo mundo a chance de brigar pela medalha. Por isso, faz modificações”, explicou Arthur.

O técnico Marcos Goto esclareceu que, com a mudança do código de pontuação, todo mundo está igual no circuito internacional. “Ninguém tem obrigação de defender título. Já tem ginasta com nota de partida mais alta que a do Arthur. Ele não pode mais fazer a série que apresentou na Olimpíada. Agora, já não se pede tanta força. O código de pontuação mudou em novembro. Temos uma nova série e ele está treinando um elemento novo para aumentar a nota de partida. Vai levar uns seis meses”, explicou. “No nível do Arthur, um décimo que abaixe a nota de partida já é bastante. O código favorece os que não são tão fortes. Temos de buscar elementos novos”, acrescentou Marcos Goto.

O treinador comentou que a Copa do Mundo em Doha vai ser mais um teste. “Já estudamos as séries de vários ginastas e vamos montando a dele”, completou. Mas ressaltou que Arthur vai competir sem se preocupar com os rivais. “O Arthur está bem preparado e já disse a ele para esquecer essa coisa de defesa de título, esquecer os outros ginastas. Mas ele está acostumado, é bem tranquilo. Acho que a pressão dele sou eu”, acrescentou o técnico, que treina Arthur desde que o ginasta tinha 9 anos.

Mudanças

Arthur segue respondendo a questionamentos sobre o que mudou após a conquista da medalha de ouro em termos de estrutura para a ginástica. Disse que fica um pouco frustrado pela lentidão nas mudanças, mas que seu papel é treinar. “Venho todo dia para o ginásio de cabeça erguida. Não temos as melhores condições, mas dá para treinar”, afirmou, dizendo que o Brasil precisaria ter pelo menos dois centros de treinamento de referência, um no Rio, cidade que vai sediar os Jogos Olímpicos, e outro em São Paulo, que concentra a maior parte dos ginastas.

O técnico Marcos Goto disse que imaginou que as coisas seriam mais fáceis depois da medalha do Arthur, já recebeu a visita do ministro Aldo Rebelo, do secretário de Alto Rendimento, Ricardo Leyser, de representantes do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e da Prefeitura de São Caetano do Sul, que mantém o projeto da ginástica na Sociedade Esportiva, Recreativa e Cultural, a SERC, no Bairro Santa Maria – é gerenciado pela Agith, a Associação de Pais di Thiene, e reúne 300 crianças e jovens.

“As coisas estão melhorando, os projetos estão vindo. Temos dois estudos: um, para reformar o ginásio; outro, para construir um ginásio novo, o que talvez seja mais em conta. Reclamar é fácil, trabalhar é que é difícil. Se vier um ginásio novo, não vou achar ruim, não. O Ministério dos Esportes mostrou interesse em ajudar”, afirmou o treinador.

Marcos confia na melhoria da estrutura até junho, com a nova área de musculação que começa a ser instalada pela Prefeitura na SERC/Santa Maria. Mas disse que apenas isso talvez não seja suficiente. “Se o Brasil quer ficar entre os dez primeiros na Olimpíada, precisa de estrutura, porque ginastas e nível técnico nós temos. Quantos centros de treinamento temos aqui? Nenhum. Na Colômbia, aqui do lado, são dois centros; no México, quatro.”

Arthur Zanetti é atleta da SERC, tem patrocínio da Sadia e CAIXA e apoio da Nike.