A federação internacional definiu como de valor F o movimento de extrema força e dificuldade que o ginasta brasileiro campeão olímpico executa e inseriu em sua série

São Caetano do Sul – A Federação Internacional de Ginástica (FIG) classificou o novo elemento executado pelo ginasta brasileiro Arthur Zanetti como de valor F, a nota máxima no Código de Pontuação para cada um dos movimentos que formam uma série. O técnico Marcos Goto, que criou o elemento de extrema força que o campeão olímpico vem treinando desde o fim do ano passado, deu a notícia na manhã deste sábado (28/9), às vésperas do início do 44º Mundial de Ginástica Artística, em Antuérpia, Bélgica, a partir de segunda-feira (30/9) e até o dia 6 de outubro. 

“Temos boas novidades por aqui porque a FIG reconheceu o elemento novo como de valor F. O Arthur e o Chico(Francisco Barreto) passaram muito bem pelo treino de pódio. Fizemos a prova nova, com o novo elemento sendo confirmado o valor F”, informou o técnico Marcos Goto, que treina Arthur Zanetti na SERC/São Caetano há 15 anos, sobre a movimentação deste sábado (28/9), em Antuérpia.

Apesar da expectativa adicional, Arthur disse que vai encarar o Mundial de Antuérpia – a qualificação das argolas será na terça-feira (1/10) – com o mesmo comportamento que teve na Olimpíada de Londres/2012, quando tornou-se o primeiro campeão olímpico da ginástica brasileira. “A expectativa é a mesma. Não vou colocar mais ou menos pressão, só a que considero adequada para fazer o elemento.”

Arthur iniciou a preparação do novo elemento no fim de 2012 e o apresentou pela primeira vez aos jurados da FIG na etapa de Anadia (POR), da Copa do Mundo, em junho, antes do bicampeonato na Universíade, durante um giro que fez pela Europa. Em Anadia, o elemento recebeu valor E (0,500 na nota), mas Arthur e Marcos pediram à FIG que reavaliasse e enviaram um vídeo. A argumentação foi aceita agora em Antuérpia, com valor F (0,600 na nota).

Com isso, a série de Arthur fica valorizada em um décimo em relação aos demais competidores nas argolas. “Se não fosse F, não colocaríamos na série porque seria um risco desnecessário”, disse Arthur, explicando que a ideia do novo elemento foi do seu técnico. “Um dia, o Marcos olhou no código e viu que não tinha. Criou o movimento e me propôs: ‘Vamos começar a treinar aí para ver se inserimos isso no código’. Eu disse: ‘Vamos’. Começamos a trabalhar e acabou dando certo”, disse Arthur.

Arthur Zanetti, de 23 anos, explicou o novo movimento, dizendo que sente dor no corpo todo, inclusive na panturrilha, embora a exigência de força esteja concentrada nos braços no momento da execução. “É logo o primeiro elemento que faço na minha série. É muito difícil, cansa fazer, exige energia e com ele eu gasto muita força. Fico com os braços acima do corpo, paralelo ao solo, e subo até os braços ficarem abaixo do meu corpo, ainda paralelo ao solo. Saio de uma extremidade, abaixo das argolas, e vou até a outra, acima das argolas. Faço muita força para subir o corpo. É um elemento bem difícil mesmo, mas espero que valha a pena fazer”, disse Arthur.

Agora, a expectativa passa a ser a homologação pela FIG e a inclusão do elemento com o nome Zanetti no Código de Pontuação.

Arthur Zanetti é atleta da SERC/São Caetano, tem patrocínio da Sadia, Furnas, adidas e CAIXA e apoio do COB e Bolsa Atleta/Ministério do Esporte.