Arthur Zanetti O primeiro campeão olímpico da ginástica brasileira

Arthur Zanetti passa para a história como o primeiro atleta brasileiro a conquistar uma medalha olímpica para a ginástica artística, no dia 6 de agosto de 2012, na North Greenwich Arena, nos Jogos de Londres: ouro nas argolas, com 15.900 pontos. E também o primeiro a ser campeão mundial nas argolas, em Antuérpia, na Bélgica, em 5 de outubro de 2013, com 15.800 pontos. Dono de duas medalhas olímpicas (ouro em Londres/2012 e prata no Rio/2016), treinando com Marcos Goto, com quem forma a dupla responsável por colocar a ginástica brasileira no cenário mundial. 

Arthur Zanetti nasceu em São Caetano do Sul, na região do ABC paulista, em 16 de abril de 1990. Começou na ginástica artística aos 7 anos, seguindo o conselho do professor de educação física Sérgio Oliveira dos Santos, do Colégio Metodista, onde estudou entre 1995 e 2002. “Queria jogar futebol, mas era muito ruim”, conta o ginasta. Ao observar o menino, mais baixo que os outros alunos, mas ágil e com o tronco forte, o professor sugeriu aos pais que o levassem para fazer um teste para ginástica artística na SERC (Sociedade Esportiva Recreativa e Cultural) Santa Maria, em São Caetano do Sul (SP).

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Deu certo e, em agosto de 2012, em Londres, o Brasil ganhou seu primeiro campeão olímpico na ginástica artística. Em outubro de 2013, também nas argolas, Arthur conquistou um título mundial inédito, em Antuérpia, na Bélgica. E a ginástica artística brasileira tem o seu primeiro campeão olímpico e mundial. A tríplice coroa veio em 2015, com o ouro pan-americano nas argolas, conquistado em Toronto. Para o ginasta “era o ouro que faltava”. Arthur Zanetti tornou-se campeão olímpico, mundial e pan-americano nas argolas em parceria com o técnico Marcos Goto, o mentor das estratégias de treinamento e competição e responsável por impor a disciplina necessária para conquistas tão expressivas. Em 2016, mais um sonho realizado. Arthur Zanetti conquista a prata olímpica, desta vez diante de familiares, amigos e toda a torcida brasileira. “A prata em casa foi tão importante quanto o ouro em Londres. Foi demais a emoção de ganhar uma medalha olímpica no Brasil.”

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Na SERC, Arthur começou a treinar com Cláudia Cobo, por um curto tempo, antes de ter Marcos Goto como técnico. No início, a rotina exaustiva de treinos desanimava o menino. A avó, Neide Thomazzo, que o levava para treinar todos os dias, desempenhou um papel importante para que não desistisse do esporte. Toda vez que ele reclamava, a avó prometia uma “passadinha” na padaria depois, para comer o que quisesse. Arthur ia direto para as bombas de chocolate, ainda hoje um de seus doces preferidos. Mas sempre lembrava do irmão mais velho, Victor, com quem tem grande afinidade. “Eu pedia para levar uma para ele também.” Até hoje ainda compartilha, de segredos a conquistas, momentos importantes da vida com o irmão.

Escolhido pelo técnico Marcos Goto

Aos 9 anos, Arthur deu início à caminhada que o levaria ao inédito ouro olímpico, até as medalhas ganhas em Mundiais, pan-americanos, ao bicampeonato na Universíade, a segunda medalha olímpica… – a partir de 1998, com o apoio do técnico Marcos Goto. “Vim (de Guarulhos) para montar um trabalho em São Caetano. Eles estavam sem técnico para a ginástica masculina e me chamaram para reiniciar o trabalho, levar o clube às principais competições”, relembra Marcos Goto, hoje coordenador de um trabalho que envolve cerca de 300 crianças e adolescentes.

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O treinador começou selecionando um grupo de sete ginastas, Arthur entre eles, que poderiam evoluir. “Escolhi entre os meninos que treinavam aqui. O Arthur era baixo, mas muito forte. Eu o fazia chorar todo dia…”, lembra Goto. A dupla treina até hoje na SERC, da Prefeitura de São Caetano – a ginástica é administrada pela Associação de Ginástica Artística Di Thiene de Pais e Mestres (Agith).

Marcos Goto teve a certeza de que Arthur poderia ir longe na volta do Mundial de Stuttgart, em 2007, e deu início à preparação para os Jogos Pan-Americanos Juvenis da Guatemala, no mesmo ano. “Montamos uma rotina para ganhar as argolas no Brasileiro, seletivo para o Pan. Dali, ele ganhou confiança.”

A primeira seleção brasileira

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A primeira convocação para a seleção brasileira veio em 2007, para o Mundial de Stuttgart, na Alemanha. Arthur não trouxe medalha, mas tornou-se presença constante na lista de convocados. Ainda em 2007, foi campeão pan-americano juvenil. Em 2009, em Londres, foi o primeiro ginasta brasileiro finalista nas argolas em um Mundial – terminou na quarta colocação.

Antes, havia sido prata nas argolas na etapa de Stuttgart da Copa do Mundo. Com os 15.200 pontos alcançados no aparelho, só foi superado pelo chinês Yibing Chen (15.650). Subiu ao pódio das argolas em uma etapa da Copa do Mundo pela primeira vez na carreira, mas ficou frustrado: “Não teve medalha.” Em 2011, ganhou prata nas argolas e ouro por equipes nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, no México.

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A evolução continuou e o ginasta já coleciona mais de 200 medalhas, com destaque para o ouro em Londres/2012, em sua primeira Olimpíada, o título mundial nas argolas em Antuérpia/2013, o ouro nas Universíades de Shenzhen/2011 (CHN) e Kazã/2013 (RUS), as pratas no Mundial de Tóquio, pré-olímpico, em 2011, e de Nanning/2014 (CHI), o ouro dos Jogos Pan-Americanos de Toronto/2015 (CAN) e a medalha de prata na Rio/2016, motivo de grande orgulho por ter sido ganha diante da torcida brasileira na primeira Olímpiada realizada na América do Sul na história da Era Moderna dos Jogos Olímpicos.

2012, ano do ouro olímpico

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Arthur Zanetti chegou aos Jogos Olímpicos de Londres motivado pelas medalhas conquistadas nas argolas na temporada. Foi campeão do evento-teste, em janeiro, com 15.533 pontos; em etapas da Copa do Mundo, levou prata em Cottbus (ALE), com 15.600, e ouro nas etapas de Osijek (CRO), com 15.875, Maribor (ESL), com 15.575, e Ghent (BEL), com 15.925. Também ficou com o ouro no Meeting Internacional de São Bernardo, com 15.825. As notas aumentaram em relação ao vice-campeonato mundial conquistado em outubro de 2011, em Tóquio (15.600). Em Osijek e São Bernardo, os 15.800 pontos superaram a marca do chinês Ybing Chen, campeão mundial em Tóquio.

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Em Londres, Arthur fez uma apresentação praticamente impecável. Alcançou os 15.900 pontos para entrar na história e emocionar o Brasil. Conquistou o ouro, superando o chinês Yibing Chen (15.800), campeão olímpico em Pequim/2008, que ficou com a prata em Londres, e o italiano Matteo Morandi (15.733), que levou o bronze.

Foram decisivas a estratégia e a preparação psicológica de Arthur. No Mundial de Tóquio, em 2011, não mostrou a série que levaria para a Olimpíada. E em sua primeira exibição nos Jogos de Londres, na fase classificatória, também não apresentou seus melhores exercícios. Deixou para revelar tudo na final, aumentando em 3 décimos a nota de partida, com a força psicológica necessária para fazer seu trabalho.
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O técnico Marcos Goto frisa que a conquista envolveu trabalho e planejamento. “Em 2012, ele disputou várias etapas da Copa do Mundo, em diversos países, e conquistou medalha em todas. Foi nessas competições que conseguimos analisar o nível da ginástica mundial, aprender, trazer conhecimento e melhorar a cada dia.”

Além do ouro olímpico em Londres e das medalhas nas etapas da Copa do Mundo, Arthur fechou o ano com mais uma prata, em Ostrava, na República Checa (15.825), e um ouro, na Copa Toyota, no Japão, em que repetiu a nota da Olimpíada: 15.900.
A temporada histórica terminou com o Prêmio Brasil Olímpico de Melhor Atleta do Ano. Na festa anual do Comitê Olímpico Brasileiro, o trabalho de Marcos Goto também foi reconhecido e o treinador recebeu o prêmio de Melhor Técnico em Esportes Individuais.
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Em 2013, mais um ouro inédito

Em 2013, Arthur Zanetti estreou no novo ciclo olímpico pressionado pelo status de campeão nos Jogos de Londres. Na temporada, o principal desafio seria o Mundial de Antuérpia. O caminho até a competição na Bélgica foi construído com o ouro nas argolas em todas as competições que disputou. Conquistou o bicampeonato mundial universitário na Universíade de Kazã (RUS), com 15.875 pontos, repetindo o pódio de Shenzhen/2011 (CHN). Foi campeão nas etapas da Copa do Mundo de Doha, Catar (15.700), e de Anadia, Portugal (15.800), nos Jogos Regionais, por São Caetano (15.700), e, pela sexta vez, no Campeonato Brasileiro (15.800).

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Enquanto se preparava para o Mundial, Arthur também treinava um novo elemento, de difícil execução e extrema força, para ser incluído em sua série. Em junho, na etapa da Copa do Mundo de Anadia (POR), apresentou a novidade, criada pelo técnico Marcos Goto, aos árbitros da Federação Internacional de Ginástica (FIG). Em 28 de setembro, a FIG atribuiu ao novo elemento valor F como nota e o elemento passou a integrar o Código de Pontuação.

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No Mundial, Arthur incluiu o elemento em sua série na fase classificatória, mas não cravou a saída do aparelho. Com isso, ganhou nota 15.733 e avançou para a final em segundo lugar, atrás do chinês Yang Liu (15.866). Os outros seis qualificados para a decisão de medalhas foram Brandon Wynn (EUA), Aleksandr Balandin (RUS), Lambertus van Gelder (HOL), Samir Ait Said (FRA), Danny Pinheiro Rodrigues (FRA) e Koji Yamamuro (JAP).

Na final das argolas em Antuérpia, em estratégia definida com o técnico Marcos Goto, Arthur optou por retirar o desgastante movimento de sua série e aumentar as chances de fazer uma apresentação “limpa” – cravou a saída e recebeu nota 15.800. Terceiro dos oito competidores a se apresentar, teve de conter a ansiedade até o fim, aguardando a nota dos adversários antes de poder comemorar mais um ouro inédito. O russo Aleksandr Balandin ficou com a medalha de prata (15.733) e o norte-americano Brandon Wynn com a de bronze (15.666).Arthur tornou-se campeão mundial aos 23 anos, o que, somado ao título olímpico, confirmava seu domínio nas argolas.
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2014, un ano histórico para a ginástica brasileira

Em 2014, o foco de Arthur Zanetti foi o 45º Mundial de Nanning, na China. Treinou solo e salto, além das argolas, com o objetivo de ajudar a seleção brasileira a conseguir a melhor colocação da história da ginástica artística masculina em um Mundial. O Brasil ficou em sexto (263.562), depois de já ter encerrado a fase de qualificação no bom sétimo lugar (348.100) – até então, a melhor classificação da equipe brasileira em um Mundial havia sido a 13ª posição de Tóquio/2011.

A seleção se preparou para a temporada fazendo, inclusive, vários campings de treinamentos no ano, em Cancun (MEX), em Anadia (POR), em São Caetano, São Paulo, e em Tóquio (JAP), também aclimatação para o Mundial.

Arthur ainda deixou o Mundial, uma competição histórica para a ginástica artística brasileira há dois anos dos Jogos Olímpicos do Rio/2016, com prata nas argolas (11/10/2014, com 15.733). Era sua terceira medalha ganha em Mundiais (somada com a prata de Tóquio/2011 e o ouro de Antuérpia/2013). Em casa, o chinês Yang Liu ficou com o ouro nas argolas (15.933) e empatados com o bronze o russo Denis Abliazin e o chinês Hao You (após revisão da nota), com 15.700.

Final por equipes - 6ª colocação

Individualmente, na temporada, Arthur Zanetti venceu nas argolas nos X Jogos Sul-Americanos de Santiago, Chile (15.900). No II Meeting de Ginástica Artística de Santos, São Paulo, levou ouro no aparelho, com a maior nota da carreira: 16.000 (batendo sua marca pessoal que era a nota 15.925, de 2012, em etapa da Copa do Mundo, na Bélgica). Outro ouro veio na etapa da Copa do Mundo de Anadia, em Portugal, com 15.700 (na qualificação, recebeu nota 15.800, ainda maior do que na final).

Em agosto, ajudou o Brasil a se classificar para os Jogos Pan-Americanos de Toronto, em 2015, no Pan-Americano de Ginástica Artística de Mississauga (CAN). Também foi o melhor nas argolas (15.950) e levou bronze no solo com a melhor nota da carreira pelo atual código de pontuação (15.000).

Confirmou o seu favoritismo nas competições nacionais. Ficou com o ouro argolas no Troféu Brasil e na I Etapa Caixa de Ginástica Artística e Rítmica, em Bento Gonçalves (RS), com 15.800. No 58º Jogos Regionais de Osasco, São Paulo, brigou por pontos para São Caetano do Sul, vencendo as argolas com facilidade (15.650). A cidade foi vice-campeã do torneio por equipe com a ginástica masculina. Em agosto, foi campeão nas argolas no Campeonato Brasileiro e II Etapa Caixa (15.850) de Ginástica Artística, em Aracaju (SE).

Terminou 2014 com o bicampeonato do Prêmio Brasil Olímpico como o Melhor Atleta do Ano. Foi indicado ao prêmio do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) três vezes e ganhou duas (2012 e 2014).

2015, ano de conquistar ouro no Pan e a classificação olímpica do Brasil

Arthur Zanetti enfrentou desafios diferentes em 2015. Convocado pela seleção brasileira passou parte do ano no Rio, em treinamento com o grupo que tinha o enorme desafio de repetir o bom desempenho por equipe no Mundial Pré-Olímpico de Glasgow, na Escócia. O Brasil nunca havia levado uma equipe masculina completa a uma Olimpíada. Arthur se dedicou também aos treinamentos de solo e salto para somar as melhores notas possíveis para a equipe.

 
Arthur Zanetti: "Estamos muito orgulhosos uns dos outros"

Arthur Zanetti: “Orgulhosos uns dos outros”

Após o sétimo lugar da qualificação e com a vaga olímpica assegurada pela primeira vez, o Brasil foi o oitavo colocado na final por equipes (259.577) em Glasgow. O Japão ficou com a medalha de ouro (270.818), seguido por Grã-Bretanha, com a prata (270.345), e a China, com o bronze (269.959). O Brasil teve o orgulho de se colocar no top 8 da ginástica mundial, dividindo a classificação olímpica com os medalhistas, a Rússia (4º, com 268.362), os Estados Unidos (5º, 267.853), a Suíça (6º, 261.660) e a Coreia do Sul (7º, 260.035). “Estamos muito felizes porque estamos fazendo história para o nosso País e o esporte. Quero dar os parabéns aos atletas, a todos os integrantes da comissão técnica, aos fisios, médicos… Estamos muito orgulhosos uns dos outros. Todos poderão sentir o gosto de uma Olimpíada em casa”, disse Arthur.

Arthur não foi a final individual das argolas em Glasgow, mas 2015 foi ano da conquista da tríplice coroa. O ginasta realizou o sonho de conquistar o ouro que ainda faltava na sua ‘coleção’ de medalhas, nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, no Canadá, em 14/7/2015. No Toronto Coliseum, Arthur fez uma apresentação nota 15.725 para ficar com o título de campeão. O norte-americano Donnell Whittenburg ficou com a prata (15.525) e o cubano Manrique Larduet com o bronze (15.450). Ainda deixou o Canadá com a medalha de prata conquistada pelo Brasil por equipe. Arthur tem mais duas medalhas ganhas em Pans – ouro por equipe e prata nas argolas, de Guadalajara/2011.

Ouro e prata no Pan de Toronto

Ouro e prata no Pan de Toronto

2016, ano de ganhar medalha olímpica em casa

Na segunda Olimpíada da carreira, a segunda medalha: Arthur Zanetti voltou ao pódio, desta vez em casa. O ginasta, ouro nos Jogos de Londres/2012, conquistou a medalha de prata no Rio, apoiado pela família e pela torcida que lotou a Arena Olímpica em 15/8/2016. “Foi mais difícil do que em Londres, mas ganhar a prata em casa é mais gostoso do que o ouro fora.” Arthur vibrou com a prata. O grego Eleftherios Petrounias foi o campeão (16.000) e o russo Denis Abliazin ficou com o bronze (15.700).

Zanetti: emoção diante da torcida que lotou a Arena Olímpica no Rio

Nos Jogos do Rio, Arthur disputou a classificação no dia 6 de agosto de 2016 e, com uma série de menor dificuldade, recebeu a nota 15.533 para passar à decisão das argolas em quinto lugar. Dois dias depois, participou da final por equipes e, repetindo a mesma série, fez 15.566. Na final, foi o último a se apresentar, com uma série de dificuldade maior (6.800) e recebeu o resultado que classificou como “maravilhoso”.

Arthur Zanetti ganha sua segunda medalha olímpica nas argolas

“É maravilhoso, um resultado incrível que vai ficar na minha memória. Não tenho como descrever. Tenho que agradecer a todo mundo que me ajudou: família, amigos, patrocinadores, não posso esquecer de ninguém. Vocês fizeram parte dessa história. E dá um gostinho a mais para poder estar na próxima Olimpíada”, disse Arthur.

Os pais do ginasta, Roseane e Archimedes, estavam na arquibancada para torcer pelo filho, assim como em Londres. “Ele é um excelente filho, exemplar, disciplinado, que fixa um objetivo e vai atrás do que quer, não se deixa vencer”, disse a mãe. O pai exaltou a dedicação de Arthur neste ciclo. “O nível da competição foi altíssimo. E nessa hora você quer o melhor para o seu filho. Graças ao trabalho que foi feito, aconteceu o programado. Ele fez o papel dele, está de parabéns milhões de vezes. Estou muito emocionado”.

Arthur Zanetti competiu duas vezes antes da Olimpíada, sempre diante da torcida brasileira. No Evento Teste, de reconhecimento da Arena Olímpica da Barra, no Rio, Arthur Zanetti ficou com a medalha de ouro nas argolas na sua primeira competição na temporada (18/4/2016), com a nota 15.866. O grego Eleftherios Petrounias ficou com a prata (15.833) e o francês Samir Ait Said com o bronze (15.500).

Levou o ouro nas argolas na etapa de São Paulo da Copa do Mundo (22/5/2016) e levantou a torcida do Ibirapuera com a nota 15.800, repetindo a série que fez no Evento-Teste, no Rio, onde também conquistou a medalha de ouro. “Saí muito satisfeito da minha prova, era isso mesmo o que eu estava esperando. Acho que a torcida me ajudou muito, assim como o Marcos Goto, meu técnico, e toda a equipe”, disse o campeão, que dividiu o pódio com o argentino Frederico Molinari (prata com 15.050) e o japonês Kaito Imabayashi (bronze com 14.700).

O ano também foi marcado por uma emoção incrível  para Arthur Zanetti ao participar do revezamento da tocha olímpica em São Caetano do Sul, cidade onde nasceu e treina (23/7/2016). Encerrou o revezamento. Recebeu a chama no Espaço Verde Chico Mendes, importante parque da cidade, e a conduziu acompanhado por muitos fãs. Ao longo dos 200 m de caminho com a tocha, recebeu palavras de carinho e apoio. O percurso terminou no palco, onde acendeu a lamparina que levaria o fogo olímpico, que nunca se apaga, para a próxima cidade do revezamento – a vizinha Santo André. “É muito gratificante levar esse símbolo na minha cidade. Conheci a ginástica aqui.”

O 82º dia de revezamento da tocha começou em Guarulhos. E, antes de Arthur, o técnico Marcos Goto conduziu o símbolo olímpico em sua cidade natal, onde também deu seus primeiros passos na carreira esportiva. Para Goto, participar do revezamento foi uma forma de também homenagear a terra natal. O técnico, que trabalha com Arthur desde a infância, fez questão de acompanhar o pupilo também em São Caetano.

Por trás do campeão, o apoio da família

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A família desempenha um papel importante na carreira de Arthur Zanetti. Além do apoio emocional, o pai, Archimedes Zanetti, mecânico industrial e microempresário, fabricava equipamentos que ainda hoje auxiliam no treinamento do filho e de outros ginastas. A primeira encomenda, de emergência, foi justamente um par de argolas, o aparelho do ouro olímpico e mundial.

Alguns equipamentos que os ginastas usavam no treino estavam desgastados e o técnico Marcos Goto pediu a Archimedes que tentasse fazê-los na oficina que tem em São Bernardo do Campo. Deu certo e Archimedes não parou mais. Goto mostrava imagens, explicava do que precisava e Archimedes ia fazendo. Esses equipamentos estão na SERC Santa Maria, em São Caetano, e incluem desde uma plataforma que Arthur usa para alcançar as argolas, até pinos para levantamento de peso, argolinhas para as crianças, uma miniparalela e o suporte para o pó de magnésio. Ainda hoje, Archimedes ajuda com os equipamentos acessórios.

A família Zanetti também é atuante na Agith, com a participação de Roseane, mãe de Arthur. O ginasta também tem forte ligação com o irmão, Victor, três anos mais velho, que traz no peito, na altura do coração, uma tatuagem do rosto de Arthur, completada com a medalha de ouro olímpica. Tios, primos, avó, namorada… Arthur acha que todos são parte integrante de suas conquistas, assim como sempre cita, agradece e elogia o trabalho da comissão interdisciplinar – técnico, médica, psicóloga, fisioterapeutas, nutricionista, auxiliares técnicos, gestores de mídia e carreira que o acompanham no dia a dia.
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