Ginasta segue nesta 2ª-feira para Antuérpia sem sentir a pressão da principal disputa do ano: “Nas argolas, a chance de não conseguir fazer o que treinou é pequena”

São Caetano do Sul – O ginasta Arthur Zanetti segue para a principal competição da temporada, o Mundial de Antuérpia, na Bélgica, de 30 de setembro a 6 de outubro, com a expectativa de conquistar uma medalha e ver seu novo elemento ganhar nota máxima (F) no Código de Pontuação da Federação Internacional de Ginástica (FIG). Arthur, de 23 anos, paulista de São Bernardo do Campo, campeão olímpico nas argolas, foi prata no aparelho no Mundial do Japão, em 2011. 

“É muito difícil chegar ao topo e, ainda mais, ficar no topo. Estamos trabalhando muito duro. O segredo é fazer de tudo direito: cuidar do treinamento, da nutrição, da parte médica, da mente…”, afirma Arthur, que embarca para o Mundial na segunda-feira (23/9). O Mundial de Antuérpia não é uma competição por equipes – os ginastas brasileiros competem, individualmente, em seus aparelhos e Arthur só fará argolas.

Arthur deseja ser campeão mundial e pan-americano, títulos que ainda não tem, mas observa que vai disputar vários Mundiais – não precisa se sentir pressionado agora. “Eu vou lá, como fiz em todas as competições. Vou encarar como encarei a Olimpíada e como encaro as etapas da Copa do Mundo. A expectativa é a mesma. Não vou botar nem mais nem menos pressão. Vou botar a pressão que eu achar adequada para fazer uma boa série. Argolas é um aparelho bom porque a chance de você não conseguir fazer o que treinou é pequena. Só se falta força na hora, mas acho que isso não vai acontecer porque o que estamos treinando de força aqui não está escrito.”

Arthur diz que são vários os adversários que encontrará nas argolas entre os ginastas chineses, russos, italianos, norte-americanos e gregos.

Arthur vem treinando um novo elemento, de extremo grau de dificuldade, desde o fim do ano passado, mas ainda não sabe se o incluirá ou não na série que vai apresentar no Mundial. O técnico Marcos Goto alerta que se o novo elemento não for avaliado com grau de dificuldade F, nota máxima, dificilmente será apresentando por Arthur, que pode repetir a série da Olimpíada (nota 15.900). “Vamos ver se compensa ou não fazer o elemento depois de avaliarmos o nível da competição”, acrescenta o treinador. O elemento foi apresentado na etapa de Anadia (POR) da Copa do Mundo, em junho, e foi avaliado como E. Mas está em processo de reavaliação pela FIG. Se homologado, pode entrar para o Código com o nome Zanetti.

“Eu vou de uma extremidade a outra. Com os braços retos, atrás do corpo, paralelo ao solo, saio de uma posição abaixo das argolas e vou até em cima, no máximo que dá para chegar.É um elemento de força máxima. Gasto mais força do que em todos os elementos que eu já fiz. É o mais extremo”, explica Arthur. Mas observa que ter o nome no Código não é mais importante do que o ouro olímpico. “Isso é o máximo que um atleta pode conseguir e o ouro olímpico não pode ser comparado a nada. Mas todos os ginastas importantes tem elementos com nome no pódio e seria legal por isso e também para aumentar a minha nota de partida.”

Arthur Zanetti é atleta da SERC, tem patrocínio da Sadia, Furnas e CAIXA.