Campeão olímpico das argolas em Londres/2012, ginasta volta ao pódio quatro anos depois, em casa, com apoio da família e da torcida: “É maravilhoso, um resultado incrível.”

Rio de Janeiro – Na segunda Olimpíada da carreira, a segunda medalha: Arthur Zanetti voltou ao pódio novamente, desta vez em casa. O ginasta, ouro nos Jogos de Londres/2012, conquistou a medalha de prata quatro anos depois, no Rio, apoiado pela família e pela torcida que lotou a Arena Olímpica nesta segunda-feira (15/8/2016). “Foi mais difícil do que em Londres, mas ganhar a prata em casa é mais gostoso do que o ouro fora”, disse o brasileiro, que somou a nota 15.766. O grego Eleftherios Petrounias foi o campeão, com 16.000, e o russo Denis Abliazin conquistou o bronze com 15.700.

Nos Jogos do Rio, Arthur disputou a classificação no dia 6 e, com uma série de menor dificuldade, recebeu a nota 15.533 para passar à decisão das argolas em quinto lugar. Dois dias depois, participou da final por equipes e, repetindo a mesma série, fez 15.566. Nesta segunda-feira, Arthur foi o último a se apresentar, com uma série de dificuldade maior (6.800) e recebeu o resultado que classificou como “maravilhoso”.

“É maravilhoso, um resultado incrível que vai ficar na minha memória. Não tenho como descrever. Tenho que agradecer a todo mundo que me ajudou: família, amigos, patrocinadores, não posso esquecer de ninguém. Vocês fizeram parte dessa história. E dá um gostinho a mais para poder estar na próxima Olimpíada”, disse Arthur.

Os pais do ginasta, Roseane e Archimedes, estavam na arquibancada para torcer pelo filho, assim como em Londres. “Ele é um excelente filho, exemplar, disciplinado, que fixa um objetivo e vai atrás do que quer, não se deixa vencer”, disse a mãe. O pai exaltou a dedicação de Arthur neste ciclo. “O nível da competição foi altíssimo. E nessa hora você quer o melhor para o seu filho. Graças ao trabalho que foi feito, aconteceu o programado. Ele fez o papel dele, está de parabéns milhões de vezes. Estou muito emocionado”.

Elogio ao campeão e ciclo olímpico vitorioso

Arthur elogiou a prova de Petrounias, que o sucedeu como campeão olímpico. “Foi maravilhosa, perfeita. Eu não tinha visto a nota dele, mas sabia que ele tinha ido muito bem pelo barulho do ginásio. Eu queria simplesmente fazer a minha prova e me sentir satisfeito.”

O vice-campeonato olímpico consagra um ciclo de muitas vitórias para Zanetti. Depois do ouro em Londres, Arthur conquistou o título mundial em 2013 na Antuérpia (Bélgica) e ficou com a medalha de prata no ano seguinte, no Mundial de Nanning (China). Em 2015, alcançou um título que faltava à sua coleção: o ouro nos Jogos Pan-Americanos de Toronto. No Mundial de Glasgow, em outubro, Arthur não disputou a final das argolas. Mas seu principal objetivo na competição era coletivo: ajudar o Brasil a conquistar a inédita classificação olímpica por equipes, o que aconteceu.

“Muita gente que me encontrava na rua dizia: ‘Traz o ouro’. Mas ninguém sabe o que eu passei para conseguir estar aqui, nessa competição. Se não viesse a medalha, eu estaria feliz do mesmo jeito, porque fiz meu trabalho. Gostei da minha prova e da prata, vou ficar sorrindo o resto do ano”, afirmou.

O técnico Marcos Goto afirmou que disputa das argolas da Olimpíada do Rio foi ainda mais forte que a de Londres. “Nosso objetivo era conquistar uma medalha. A série do grego foi muito boa e foi justo ele ser o campeão”, afirmou Goto, que também orientou Diego Hypolito, prata no solo. “E ainda temos mais uma final (com Francisco Barretto, nesta terça, na barra fixa), com chance de medalha. Quem não cair, leva”. O Brasil ainda conquistou um bronze com Arthur Nory Mariano no solo.