O ginasta, campeão mundial e olímpico, afirma que o foco do grupo no Mundial de Nanning está em colocar o Brasil na melhor posição possível na disputa por equipes                                                                                                                                                                                                                                                         

 

Arthur segue para Tóquio (JAP) para aclimatação

Arthur segue para Tóquio (JAP) para aclimatação

São Caetano do Sul – O ginasta Arthur Zanetti segue para a Ásia para encarar o principal desafio da temporada de 2014: a disputa do Mundial de Nanning, na China, de 3 a 12 de outubro. Arthur compete nas argolas – aparelho em que mantém a hegemonia desde o título mundial na Antuérpia, em 2013 -, e também no solo e no salto, em busca das melhores notas que puder obter e assim ajudar a seleção brasileira. Para este Mundial, o foco é deixar o Brasil o mais bem colocado possível entre os países que, no ano que vem, disputarão as vagas olímpicas. “Estamos focando em conseguir a vaga da equipe masculina para os Jogos Olímpicos de 2016, em casa”, afirma Arthur, campeão olímpico nas argolas.

Classificar bem o Brasil não é tarefa fácil no Mundial, que reunirá, no Guangxi Sports Center, 600 atletas de 74 países. Arthur e o técnico Marcos Goto embarcam nesta sexta-feira (12/9) para Tóquio, Japão, onde a seleção ficará até o dia 26 para adaptação e treinamentos. O ginasta Lucas Bitencourt, de 20 anos, companheiro de Arthur na SERC/Agith/São Caetano, onde também trabalha com Marcos Gotos, viaja com o grupo para sua estreia em Mundiais. De lá, o grupo segue para Nanning (CHN).

Antes de deixar o Brasil, Arthur Zanetti recebeu a imprensa em São Caetano e falou das expectativas da ginástica artística para o Mundial.

Qual o foco principal para o Mundial?
Arthur Zanetti – O foco – o nosso objetivo principal para este Mundial – é conseguir uma boa classificação por equipes. Os resultados individuais vão ser consequência. Estamos focando em conseguir vaga para os Jogos Olímpicos de 2016, em casa.

Arthur Zanetti, Marcos Goto e Lucas Bitencourt

Arthur Zanetti, Marcos Goto e Lucas Bitencourt

O quanto será importante essa campanha na China?
Arthur Zanetti – Seria importante para o Brasil fazer uma boa campanha na China. A equipe masculina vem melhorando um pouco a cada ano, o que, no final, faz a diferença. Competimos agora há pouco no Pré-Pan, no Canadá, e, depois disso, passamos a treinar para corrigir os erros que cometemos lá. Nesta reta final, também estamos treinando para chegar às notas que queremos no Mundial. Sem os erros do Pan.

O objetivo do Brasil é classificar uma seleção inteira da ginástica masculina pela primeira vez para uma Olimpíada. No caso da ginástica artística, o fato de o Brasil ser sede não garante vaga. Como o Brasil foi como equipe no Pan e o que estão perseguindo agora para o Mundial?
Arthur Zanetti – O Mundial deste ano já é uma classificação – vamos ter de ficar, pelo menos, entre os 24 primeiros. Isso acreditamos que seja possível. Na verdade, planejamos brigar para ficar em oitavo, décimo… Todos nós teremos de competir bem, fazer a nossa parte. No Pan de Ginástica,acabamos não fazendo o nosso melhor, tivemos erros que, normalmente, não cometemos. Ficamos com o bronze, mas a pontuação não foi a que estávamos esperando. A partir daí, começamos a trabalhar para corrigir os erros. E vamos seguir, nas próximas semanas, trabalhando para ficar entre os dez primeiros.

Qual o estágio em que a seleção brasileira está no momento?
Arthur Zanetti – Pensar em medalha por equipe no momento não dá. É muito difícil. Mas a gente espera que em Nanning a seleção tente vaga na final, ficando entre as oito primeiras, ou fique entre os dez primeiros países. Acho que entre os dez primeiros seria um bom objetivo para este Mundial da China. Para o ano que vem, acho que já é diferente, temos de querer a vaga.

Arthur Zanetti diz que foco em Nanning é boa posição da equipe

Arthur Zanetti diz que foco em Nanning é boa posição da equipe

Nas argolas você está invicto desde a Olimpíada – na verdade, foi prata em uma única competição, no fim de 2012. De lá para cá, conquistou o ouro em tudo que disputou?
Arthur Zanetti – Estamos fazendo a nossa parte, eu e o meu técnico, Marcos Goto, mas sabemos que, a qualquer momento, podemos não conseguir o ouro ou até mesmo ficar fora do pódio. Competição é competição, tudo pode mudar… Por enquanto, tudo está dando certo. Mas sempre pode ter um dia que esse certo não aconteça. Nós só trabalhamos e fazemos o nosso melhor dentro da área de competição. Eu espero que tudo saia bem na China.

Houve uma alteração na regra – você não pode mais ficar parado na vela. O que mudou? Dificulta em alguma coisa? Você teve de tirar o Zanetti da sua série?
Arthur Zanetti – Com essa mudança, pelo fato de não poder parar e descansar, a série acabou ficando um pouco mais rápida e também um pouco mais cansativa. Estamos fazendo a série sem o Zanetti. A nova regra exige mais dos atletas que fazem argolas. Acaba cansando um pouco mais e é preciso ter mais resistência muscular para chegar ao final da série bem e conseguir fazer uma saída boa.

Sua contribuição, além das argolas, são solo e salto?
Arthur Zanetti – Sim. E pretendo fazer isso bem e ajudar ao máximo a seleção. Eu gosto de fazer solo, ainda mais nesse solo novo (aparelho doado pela Rexona, que equipa o ginásio de São Caetano), dá uma animada. Não tem relação com as argolas – são aparelhos totalmente diferentes, um usando pernas e o outro braços, um não ajuda o outro, mas tira um pouco o foco. Ficar só nas argolas acaba cansando. Assim, acabo esfriando um pouco a cabeça das argolas…

Arthur Zanetti é atleta da SERC/Agith/São Caetano, tem patrocínio da Sadia, Furnas, adidas e CAIXA e apoio da Spieth, Eurotramp, COB, CBG e Bolsa Atleta/Ministério do Esporte.